imagem TRABALHANDO COM A DIABETES

Ainda na infância, a vida já mostrava à nutricionista Deise Santiago seu caminho profissional

Por Daniel Ramalho

Deise Santiago: o diagnóstico de diabetes tipo 1 influenciou na escolha de sua carreira.
Deise Santiago: o diagnóstico de diabetes tipo 1 influenciou na escolha de sua carreira.

Imaginem uma criança, aos nove anos de idade, receber o diagnóstico de diabetes (DM) às vésperas da Páscoa. Situação difícil, mas foi o que aconteceu com Deise Leandro Santiago após os exames confirmarem as suspeitas de sua mãe, ao notar que a filha bebia muita água, ia muitas vezes ao banheiro e que apesar de comer mais do que deveria, não deixava de emagrecer.

Ao consultar um médico, ela lhe pareceu muito bem de saúde, mas o ditado popular Coração de mãe não se engana fez-se valer e o primeiro exame revelou uma glicemia de jejum acima de 380 mg/dl. “Não me lembro o valor exato, mas se não fosse a insistência dela, talvez eu tivesse piorado e fosse parar numa UTI em coma”, conta Santiago.

Era uma época de poucas informações e orientações e o chocolate daquela páscoa lhe pareceu meio amargo, mas a pequena Deise, apesar dos momentos de pranto, reagiu bem à nova realidade e teve bastante apoio da família, que mudou sua alimentação e sempre respeitou a comida que “era da Deise” – naquele tempo a contagem de carboidratos ainda não era muito divulgada no Brasil, havia polêmica em torno do tema e, segundo a nutricionista, muitos seguiam uma dieta completamente sem açúcar.

Atualmente formada em nutrição pelo Centro Universitário São Camilo, a paulistana, hoje com 23 anos, contou ao DIABETES, ESPORTE & NATUREZA, que já teve seus momentos de rebeldia, porém acredita que deve sua vida ao diabetes: “parece besteira o que eu digo, mas é verdade. Eu já tinha excesso de peso quando era menor, era a gordinha da família. Hoje, certamente, eu teria um problema muito mais grave por conta do excesso de peso”.

O precoce contato com dietas e cuidados com a saúde, despertou-a para sua vocação ainda no ensino médio, logo após a aula de uma professora que lhe explicou o valor de uma boa alimentação. Ao aclarar também qual era o profissional que atuava nessa área, Santiago começou a pesquisar e se apaixonou pela nutrição, mas como ainda faltava tempo para o vestibular, aproveitou para usar o tema em vários de seus trabalhos escolares.

“Se eu conseguisse aplicar aquilo na minha vida, conseguiria passar para meus clientes. E é isso que eu faço”.

Ao longo da vida, havia passado por duas nutricionistas para auxiliar no tratamento do diabetes, mas considerava o atendimento fraco e que ninguém entendia a realidade de quem convivia com a disfunção. “Confesso que não gostava de ir à nutricionista. Aquilo que todos dizem sobre as proibições era real. Então corri atrás para entender a contagem de carboidratos e aprendi muitas coisas que nenhuma consulta de 30 minutos me daria: informações.

Com a garra peculiar aos que convivem desde tenra idade com o diabetes mellitus tipo 1 (DM1), a também Educadora em Diabetes pela ADJ Diabetes Brasil considera que a experiência adquirida diariamente no controle glicêmico ajudou muito em sua graduação, pois vivia na própria pele o que os professores explicavam sobre DM aos alunos e, não raro, tirava diversas dúvidas dos colegas de curso.

Já formada e atuante, no trabalho não foi diferente: “Tenho mais credibilidade, por entender melhor o que o paciente conta e saber que existem momentos em que não aceitamos a doença e queremos tomar refrigerante normal mesmo, ou se acabar nos doces… Acontece, não com tanta frequência quanto eu imaginei, mas acontece, e eu sou humanamente capaz de entender essas situações, não como um momento de frescura, mas como um momento da pessoa não querer mais aquilo para ela. E cabe a mim mostrar que todos passamos por isso, inclusive eu, mas que não devemos desistir nunca”, constata Deise.

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Atividades físicas: melhor controle da glicemia, bom humor e disposição.

No tocante aos esportes, pratica a corrida e faz caminhadas, mas também já foi adepta da musculação, da natação e do handebol. Nos dias de treinos, toma alguns cuidados para que nada interfira nesse momento: reduz as doses de insulina basal, presta especial atenção ao local onde ficará a cânula da bomba e faz mais testes glicêmicos para evitar as temidas hipoglicemias. Se necessário, capricha um pouco mais na alimentação ou corrige a glicemia com a insulina, mas não deixa de se exercitar: “As atividades físicas reduzem bastante a quantidade de insulina diária e deixam minha glicemia mais controlada. Além de me deixar com um humor muito melhor e com mais disposição”, explica.

Com tanta vivência no que diz respeito aos cuidados com a saúde, Deise Santiago conta com mais um aliado, conforme o trecho da entrevista que concedeu ao DIABETES, ESPORTE & NATUREZA que transcrevemos abaixo:

DEN: Você já passou por diferentes fases, no tocante ao ânimo e ao diabetes, desde o diagnóstico?

DS: Nossa, essa é difícil… Não sei precisar quantas foram, mas foram muitas. Na verdade, até hoje, em momentos de estresse, de tpm, enfim, eu fico revoltada, desanimada. Mas o que me dá forças é meu noivo, ele é jovem líder em diabetes pela ADJ Diabetes Brasil, mas não tem diabetes. Ele entrou nisso por mim. Hoje ajuda várias pessoas, mas a princípio buscou orientação pra poder me ajudar. Então ele acaba me ajudando muito. E ele sabe que é difícil. Sabe que é uma luta diária pela qual eu tenho que passar, mas ele me dá forças. Temos a insulina, temos uma vida, tem tanta gente no mundo com doenças mais difíceis de lidar… A dor do outro não alivia a minha dor, mas me dá forças pra continuar tentando.

DEN: Que mensagem você mandaria aos diabéticos que não estão se cuidando?

DS: O diabetes precisa ser controlado, precisamos manter nosso corpo bem, funcionando. Se nós abandonarmos nosso corpo teremos complicações que não tem reversão e aí será tarde demais. Eu quero ter filhos, quero vê-los crescer, quero correr com eles, sem sentir dores, quero que eles me vejam bem também e que entendam desde cedo que se nos cuidarmos podemos ser muito felizes.

DEN: E para os que estão desanimados?

DS: Se desanimar é uma atitude normal, mas não podemos desistir. Uma glicada alta pode abaixar, o que devemos fazer é ir atrás do que pode nos ajudar. Vou fazer mais exercícios! Vou falar com meu médico! E se mudar a insulina? E se mudar o tratamento? Tem que ir atrás de nutricionista, de psicólogo, de grupos de apoio. Quem sabe se eu tiver mais contato com outras pessoas que também tenham diabetes e também entendem meu lado? Sempre há uma saída e não devemos nos deixar derrubar.

Deise Santiago é nutricionista no ESPAÇO HORA DO TREINO e responsável pelo blog  NUTRIÇÃO DOCE.

http://horadotreino.com.br/nutricionista-deise-santiago/

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Jornalista responsável: Daniel Ramalho

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Imagens: Arquivo pessoal de Deise Leandro Santiago

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