imagem VOANDO COM A BOMBA DE INSULINA

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Há algum tempo estava devendo dois posts aqui no blog DIABETES ESPORTE & NATUREZA sobre minha viagem ao México, principalmente, por dois motivos: ser a primeira viagem internacional usando uma bomba de insulina e pela apresentação do programa de coaching que criei, o Diabeticoach, na IV Conferência Latino Americana de Psicologia Positiva Aplicada (Colappa). Então vamos ao primeiro.

20170823_173811Na última semana de agosto, como vocês puderam acompanhar aqui no DIABETES ESPORTE & NATUREZA, tive a oportunidade de realizar a tão esperada viagem a Oaxaca de Juárez, México, para apresentar, como disse acima, o projeto final de um programa de coaching para quem tem diabetes, ao qual venho me dedicando desde 2015. Mas esse será o tema principal de nosso próximo post. Portanto, falemos mais sobre a viagem em si, pois, pasmem, viajar com a bomba de insulina foi mais complicado do que com seringas e agulhas…

20170823_181809Contrariando completamente minhas expectativas, não foi tão fácil passar pelas fiscalizações dos aeroportos. Minha viagem, de 23 a 28 de agosto, foi um pouco longa, pois na impossibilidade de um voo direto do Rio a Oaxaca, fui obrigado a fazer os seguintes trajetos na ida: Galeão (RJ) – Guarulhos (SP) – Cidade do México – Oaxaca. Na volta tampouco foi fácil: Oaxaca – Cidade do México – Santiago (Chile) – Galeão. Sendo assim, passei, ao todo, por 8 fiscalizações com raio X, detectores de metal e o que mais me chamou a atenção: teste de pólvora. Hahaha! Exatamente.

20170823_230149A viagem de ida

Na noite do dia 23 embarquei no Galeão rumo a São Paulo. Foi a fiscalização mais tranquila de toda a viagem, principalmente por se tratar de um voo doméstico. Sem grandes problemas, expliquei que tinha diabetes e que usava bomba de insulina. Os policiais se interessaram pelo funcionamento do aparelho, fazendo perguntas que nada tinham a ver com uma fiscalização e sendo super simpáticos. O que me incomodou um pouco é que em alguns momentos me olharam com aquele olhar que quem tem diabetes está acostumado, mas que sempre nos incomoda: aquele olhar de quem pensa “coitadinho”… Sim, fiquei incomodado, mas é inegável que até vem a calhar quando passamos por algo tão desagradável como as fiscalizações de aeroportos, apesar de reconhecer sua grande importância para nossa segurança. Ficar na posição em que alguém desconfia que você pode fazer algum mal a alguém é algo bem desagradável, não é mesmo? Bom… agora era só colocar a 640G no modo avião, o que deve ser feito antes de decolar e assim permanecer durante toda a viagem para que o aparelho não interfira na comunicação da aeronave.

20170824_081922Rápida conexão em São Paulo e já estava de novo sendo fiscalizado pela Polícia Federal, já que na parada seguinte já estaríamos no México. Sem grandes problemas, mas já houve mais perguntas, a simpatia não foi a mesma e para passar no detector de metais tive que tirar sapatos, cinto e queriam que retirasse a bomba. Obviamente disse que não tiraria. 20170824_084635Como já havia passado por voo doméstico com a bomba de insulina saindo de São Paulo, sabia que alguém teria um mínimo de bom senso e logo fui atendido por uma agente mais esclarecida, que procedeu a fiscalização sem que eu tivesse que retirar a 640G da Medtronic. Vamos ao Méxicoooo!

20170824_071102Confesso que para entrar no México não me cansei muito. Fui escolhido para abrir toda a minha bagagem, mas atendido com muita simpatia por duas agentes aduaneiras. Minha maior preocupação nesse momento era que elas não abrissem o saco plástico com as roupas de baixo! Hahahaha! Seria uma vergonha! Hahaha!

20170824_071143Nesse momento fui informado que minha mala tinha sido vistoriada também no Rio ou em São Paulo e realmente notei que meus óculos estavam fora de sua caixa e algumas coisas acomodadas em lugares diferentes. Talvez alguns insumos extras da 640G, seringas e remédios, que levei para alguma emergência, tenham chamado a atenção de algum agente… Ah! Meu perfume praticamente cheio também foi mexido, mas tão mexido que desapareceu… Sim, alguém me roubou o perfume. Quanta mesquinharia!

20170824_090638No mais, as duas agentes se interessaram muito pela tecnologia que carregava acoplada ao meu corpo, falaram de suas tias e avós que também têm diabetes, o que é um clássico e irritante comentário. Hahaha! Breve escala, um cafezinho aguado, meia dúzia de palavrões dedicadas ao misterioso ladrão de perfume e já estávamos embarcando rumo a Oaxaca, mas dessa vez houve algo diferente: na impossibilidade de passar a bomba pelo raio x, passaram um papelzinho, tipo uma mini flanelinha, na bomba de insulina. 20170824_112846Ao perguntar o que era, a resposta me causou tanto espanto quanto graça: era um papel reagente a pólvora, para detectar se havia rastros de substâncias explosivas no aparelho. Esperava que isso pudesse acontecer passando o reagente nos meus dedos, mas jamais na própria 640G. Vivendo e aprendendo.

20170824_114541Uma horinha mais e já chegamos a Oaxaca, onde, por termos vindo de um voo doméstico da Cidade do México, não precisamos passar por outra fiscalização, mas àquela altura já havia notado que viajar com um sistema de infusão contínua de insulina era muito mais difícil do que com as tradicionais seringas canetas e agulhas. Jamais poderia imaginar isso antes dessa viagem. Em alguns momentos me perguntaram se tinha receita e atestado médico. Diante da minha afirmativa segura, nem pediam para ver. Vai entender… Hahaha! Mal sabia que a volta seria mais cansativa…

Oaxaca de Juárez, México

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Monte Albán, Oaxaca

Chegando lá no dia seguinte ao embarque, já fomos fazer um passeio com amigos em um dos lugares mais incríveis que já conheci: Monte Albán, um sítio arqueológico dos Zapotecas que parece preservado por deuses, tal a energia e a beleza de tudo. Ainda conhecemos o Ex Convento Cuilapam de Guerrero e fomos comer no Restaurante La Capilla, onde tivemos nosso primeiro encontro com formigas, minhocas, grilos e outros bichos locais. Até aí tudo bem, normal… Mas eles não estavam no chão, nem subindo por nossas pernas, estavam em nossos pratos.

Fomos “obrigados” pelos locais a provar um copinho de Mezcal, uma bebida típica da região e, tal qual se faz com a tequila, passa-se um limão no sal e, em seguida, chupa-se o quarto de limão salgado para aliviar o ardor dessa bebida destilada. Apesar de não querer, hahaha, tive que provar. Ao ver o sal rosa, pensamos tratar-se de sal do Himalaia, tão comum por aqui. Para nossa surpresa era “sal de gusano”, literalmente minhoca ralada! É um tipo de larva que os mexicanos chamam de “gusano de maguey” e que normalmente aparece em filmes no fundo das garrafas de tequila de personagens durões ou de terror, como o clássico Poltergeist, servida em forma de pó e que salga alimentos.

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Ainda não sabíamos, mas acabávamos de provar minhoca ralada…

20170826_181339Depois disso, comer grilinhos e formigas assadas ficou fácil. E o melhor: não notei nenhuma alteração na glicemia! Hahaha! O que, também surpreendentemente, foi muito comum durante toda a viagem e poucas vezes vivi dias tão tranquilos quanto às minhas glicemias desde o diagnóstico há 9 anos.

20170826_133301A viagem foi espetacular, conheci muitas pessoas legais e interessantes, lugares maravilhosos e definitivamente quero voltar lá com minha família, desta vez a lazer. No que diz respeito ao trabalho, a apresentação do programa Diabeticoach (que em breve todos conhecerão) foi muito produtiva e o retorno muito gratificante. Mais do que nunca, tive a sensação de que o programa que criei ajudará a muitas pessoas e o interesse foi grande pelo tema.

O público composto por estudantes de psicologia, nutrição e medicina, em sua maioria, encheu o auditório principal, além das salas onde foram ministradas oficinas e realizadas outras apresentações, como foi o caso do programa Diabeticoach. O interesse, principalmente dos mexicanos me surpreendeu, o que terminou sendo explicado por uma das presentes ao afirmar que quase 10% da população possui o diagnóstico de diabetes, o dobro da população com o mesmo diagnóstico no ano 2000 (9,2%, segundo dados da Federação Mexicana de Diabetes).

Passeios, aventuras gastronômicas, fotos para o blog, trabalho no quarto do hotel, trabalho na apresentação, risadas, aprendizado, novas amizades, choques culturais… O México se mostrou um ótimo lugar para se viajar, mas já era hora de voltar pra casa, ou seja, enfrentar novas aduanas! Hahaha!

 

A volta

20170827_135915Já no aeroporto de Oaxaca, inspeção detalhada no embarque com direito a ficar descalço e novas flanelinhas “anti-bomba”. Hahahaha! Confesso que até então estava achando graça de tudo, apesar de respeitar a necessidade de controle rígido nas fronteiras e aeroportos, mas era no mínimo inusitado que aquele objeto pequeno que me dá vida, pudesse ser tratado como algo que pudesse tirar vidas… 20170827_135952Foi estranho, mas tentava levar no melhor dos humores, afinal o trabalho de policiais de fronteiras e agentes aduaneiros já é tenso o suficiente. Fiquei feliz de poder arrancar algumas risadas de alguns deles, tanto no Brasil como no México, levando um pouco de leveza a um momento tenso e incômodo como esse. Haha!

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Com o psicólogo e coach Emerson Pacheco, no México-DF esperando o voo para o Chile.

Ao chegar à Cidade do México, passei sem problemas e ainda lembro que achei um exagero o aviso de “não usar os elevadores em caso de terremoto”: mal sabia eu que em menos de duas semanas aquele aeroporto passaria por dois terríveis sismos. Escapei por alguns dias. Seguindo viagem, retirei bagagens e antes de despachá-las novamente, desviando de algum famoso local que causou um alvoroço total na frente do guichê do check-in, fiz a troca de cânula, cateter e reservatório da bomba de insulina. Esse foi um momento bacana para mim. Sempre gosto de fazer essas coisas em público e ver a reação das pessoas enquanto lido com as questões do diabetes, mas nunca o tinha feito com a bomba 640G, apenas aplicações com seringa, canetas ou testes de ponta de dedo. Acredito que mesmo sem dirigir uma palavra sequer a qualquer pessoa, é uma oportunidade de mostrar um pouco de como é a vida de quem convive com o diabetes, pois ao longo desses 9 anos, já escutei algumas vezes que hoje em dia “lidar com o diabetes é molezinha”, o que muito me incomoda, pois, apesar de enfrentar com leveza a disfunção, moleza é a P!#%@@$%.

Foi curioso notar o policial se aproximando para ver o que era aquilo, alguns jornalistas que não entendiam bem o que eu estava fazendo e, curiosos como todos nós jornalistas somos, dividiam a atenção de seu trabalho com a observação do que eu fazia. Hahaha! Àquela altura eu já sabia que teria que contar isso aqui no blog. Hahaha! Pena que ninguém se animou a perguntar o que era aquilo, acho que ficaram meio confusos, pois alguns instantes antes tinha engolido o conteúdo de um sachezinho de açúcar devido a um princípio de hipoglicemia. Hahahaha! Era muita informação para quem não sabe o que é viver com o diabetes. Hahaha! Molezinha? Hahaha!

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Embarcando na Cidade do México.

Bom, bagagens despachadas, almoço caprichado e novo embarque: tira cinto, carteira, moeda, cachorro, periquito e papagaio novamente e… mais um encontro com a flanelinha detectora de explosivos. Já estávamos nos tornando velhos conhecidos e a flanelinha já me parecia simpática, bom, e como continuava conquistando a simpatia de alguns policiais e agentes, Hahaha, rumo ao Chile!

20170827_203415Chegamos ao Chile para uma simples conexão sem retirada de bagagens, mas adivinhem quem me esperava: nova fiscalização. Nesse momento meu bom humor já não estava tão evidente: apesar de não ter medo de viagens de avião, mesmo já tendo passado por situações complicadas nelas, boa parte da viagem de ida e toda a de volta foi sob muitas turbulências e isso, quando se passa mais de 24h viajando, começa a te cansar.

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Aguardando o último voo: olheiras de felicidade. rsrsrs

Tendo em vista que entre Santiago do Chile e o Rio de Janeiro existe a imensa Cordilheira dos Andes, já me preparava para o pior dos voos. Sim, meu otimismo estava exausto também. Como se isso apenas não fosse o suficiente, a glicemia, que havia estado sob total controle em Oaxaca, já dava sinais de alterações… Enfim, não estava de bom humor para piadas no momento de passar pelo raio x e detector de metais.

Parece então que a lei da atração é uma realidade incontestável: os agentes e policiais tampouco estavam para muitos amigos… Foi a revista e abordagem mais seca, estressante e mal feita de toda a viagem: fiquei muito tempo esperando que encontrassem a flanelinha antibomba. Talvez uma pressão para que eu a tirasse e passasse sem ela, mas se eles estavam de má vontade, eu também estava determinado.

De certa forma venci, pois só aceitei passar sem retirar a bomba de insulina, mas me deram uma canseira com a espera, apesar do meu cansaço. Era chegada a hora do último trajeto: Rio de Janeiro, aqui vamos nós!

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Tensão antes de cruzar a Cordilheira.

Minha previsão negativa sobre o voo caiu por terra: foi o melhor de todos! Voar sobre a Cordilheira é lindo e, apesar dos procedimentos especiais para esse voo sobre as montanhas, viemos como se deslizássemos no gelo até o Rio. Sem dúvida o voo mais calmo de toda a viagem.

Enfim, 26h depois de sair de Oaxaca, cheguei ao Rio e… Fiscalização leve, sem perguntas e pude seguir à casa na certeza de ter feito uma grande viagem, na qual muito amadureci, aprendi, vivi, sorri e reafirmei meu compromisso com a causa de minha vida: tornar mais leve e otimista a vida de quem lida com o diabetes.

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Ah! E no mesmo dia, cansado da viagem, ainda encontrei um vizinho mala e curioso.
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Certidão de nascimento do Diabeticoach.

Preparado para o que vier, o programa Diabeticoach está pronto, testado por coachees, aprovado por especialistas em Coaching e Psicologia Positiva, apresentado a pessoas de vários países, despertando interesse internacional… Enfim, temos muito papo para o próximo post sobre o Diabeticoach… Aguardem!

Grande abraço e glicemias positivas,

Daniel Ramalho – Diabeticoach

Blog Diabetes Esporte & Natureza

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