Coluna Psicologia & Diabetes
Por Raquel Pilloto
Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de uma doença crônica como o diabetes fica em estado choque e teme por sua vida. Começam a passar vários pensamentos em sua mente, como por exemplo: Será que vou morrer? Por que comigo? Será que ficarei cega ou perderei minha perna?
Aceitando o Tratamento
Conforme o tempo vai passando e a pessoa vai tendo informações acerca da doença, percebe que suas primeiras impressões estavam erradas e o choque e o medo vão dando lugar ao sentimento de “aceitação”. Coloco essa palavra entre aspas, pois essa não é uma aceitação plena. O processo de aceitação é lento e gradual, mas mesmo depois de aceitar, muitas vezes preferimos negar, por não querer e não suportar lidar com a realidade.
Sabemos o que pode nos acontecer, as complicações são reais e a sombra delas está sempre à espreita. Porém, como seres humanos, optamos frequentemente pela satisfação imediata de nossos desejos. Como tal, preferimos deixar nossos temores afastados. Desta forma, muitas vezes, fazemos o que não devemos, mas que nos causa prazer imediato. Pensamos ser melhor do que nos esforçarmos para estarmos bem num futuro que não temos certeza se virá.
Assumindo a Responsabilidade
O tratamento do diabetes é um trabalho diário, complexo e exaustivo. Não podemos deixar para depois ou pedir que outra pessoa faça por nós. Na maioria dos casos, como as complicações são a longo prazo, deixamos sempre o cuidado para outro momento. Sabemos o que pode acontecer, mas pensamos: “comigo não acontecerá, independente do que eu faça”.
Muitas pessoas sentem que tem esse poder de afastar as complicações através da força do pensamento, mas na verdade o que as afasta são as ações. Como as complicações não são imediatas, muitas pessoas acabam se descuidando e deixando sempre o controle e o autocuidado para mais tarde: “amanhã eu faço”, “amanhã vai ser melhor”, “amanhã começo a dieta”… Porém, esse amanhã nunca chega, até que a pessoa se descubra com um problema ainda maior e tenha um novo choque de realidade que venha a sacudir seu estado de equilíbrio e mostrar que sua saúde não anda nada bem.
Enfrentando a Realidade
Não adianta “taparmos o sol com a peneira”, o diabetes é uma doença cruel. “Mas, Raquel, você é psicóloga, não deveria dizer uma coisa dessas”, algumas pessoas podem pensar. Porém, a realidade precisa ser dita. As pessoas precisam ser chamadas de volta ao mundo real, onde coisas ruins acontecem.
Sim, se você não se cuidar terá maior risco de ter complicações relacionadas à doença. E não, não tem como ser de outra forma, senão com o controle e cuidado diário da doença. Ninguém poderá fazer isso por você. Claro que você pode ter toda uma equipe te ajudando e acompanhando, mas a responsabilidade de se cuidar é toda sua, não tem jeito.
Adesão e Informação
O que posso dizer por experiência própria é que quando você se torna responsável por você e pelo seu tratamento, quando “toma as rédeas”, tudo fica mais fácil. Afinal, isso vai fazer com que você se sinta empoderado e capaz de fazer mais por si mesmo. Você irá se impressionar com o quanto sua vida vai mudar de rumo conforme você optar por sua saúde em primeiro lugar.
Por esta razão, buscar informações sobre si mesmo e sobre a doença irá te ajudar a melhorar seu tratamento e sua condição. Além de fazer com que seu autocuidado melhore cada vez mais.
Cuidem-se.
Até a próxima.
Raquel Pilotto
Psicóloga – CRP: 05/56133
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