imagem DIABETES ESPORTE CLUBE ESPECIAL: MATHEUS SANTANA

Por Daniel Ramalho

Revista em diabetes - Nadador Matheus Santana
Imagem: Celso Pupo

Se você chegou até aqui, pode-se considerar que seja um leitor assíduo do DIABETES ESPORTE & NATUREZA ou que já está sabendo da grande novidade: o lançamento da revista eletrônica EM DIABETESEm ambas as possibilidades, você está de parabéns por buscar informações sobre nossa condição de DMs.

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Imagem: Celso Pupo

A entrevista gravada com Matheus Santana, em vídeo, que está na página 8 da 1ª edição da revista eletrônica EM DIABETES (maio/2017) tem toda uma história por trás, pois já tentava entrevistar o nadador desde antes dos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro. Feliz ou infelizmente, havia buscado os canais errados para conseguir o desejado encontro para um papo com o atleta de apenas 21 anos, mas cuja carreira deve seguir de exemplo para muitas pessoas que convivem com o diabetes.

20170513_220901Finalmente consegui o que queria e justamente no melhor momento: a ocasião do lançamento de nossa revista EM DIABETES, feita por uma equipe super especial e com bastante intimidade com o tema DM.

O nadador se mostrou uma pessoa bastante solícita quando nos apresentamos e, principalmente, ao saber que falaríamos sobre sua carreira e disfunção durante uma tarde de folga das competições do Troféu Maria Lenk, no dia 3 de maio, no Rio de Janeiro.

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Celso Pupo, Geraldo Fisher, Matheus Santana e eu, Daniel Ramalho. Imagem: DEN

A princípio um pouco tímido, aos poucos foi se soltando e mostrou bastante conhecimento sobre o diabetes, com o qual convive desde os 8 anos de idade. Educado e sempre pronto a sorrir, o nadador que encara com muita positividade a disfunção, mesmo após a entrevista, continuou tirando fotos e conversando com a gente, da equipe da EM DIABETES, fazendo até a selfie que você pode ver aí ao lado.

Usuário de canetas de insulina, Matheus Santana atualmente treina nos Estados Unidos e busca aprimorar sua forma e técnica para chegar ao seu objetivo principal no momento: obter os índices necessários para participar das Olimpíadas de 2020 em Tóquio, no Japão.

Antes de sabermos que teríamos a oportunidade de entrevistá-lo pessoalmente, fizemos algumas perguntas ao nadador que acabaram se repetindo na entrevista no Parque Aquático Maria Lenk, mas as reproduzimos logo aí abaixo, pois há detalhes que na entrevista filmada escaparam ao nadador:


Entrevista com o nadador olímpico Matheus Santana:

Revista em diabetes - Nadador Matheus Santana
Imagem: Celso Pupo

Em Diabetes / DEN: Em 2013 você sofreu uma grande decepção quando foi cortado da seleção após resultados insatisfatórios. O que você pensou naquele momento e o que o motivou a dar a volta por cima  a ponto de 4 meses depois ganhar 3 medalhas de ouro, bater 3 recordes sul-americanos e logo em seguida bater mais 3 recordes mundiais?

Matheus Santana: Foi muito difícil aceitar o corte, mas ele, na verdade, me incentivou e me tornou um cara mais maduro em relação ao cuidado com a minha saúde, com os meus treinamentos. A partir desse momento procurei fazer tudo certo, com a ajuda de nutricionista, endocrinologista, etc. Tanto no meio esportivo quanto na doença, você tem que ter muita disciplina, então até ajudou na rotina. Eu tenho que tomar meu remédio na hora certa, treinar na hora certa, dormir na hora certa para estar em alto rendimento.

Em Diabetes / DEN: Como é a sua preparação nos dias e momentos que antecedem as provas? O diabetes te leva a fazer algo em especial para que tudo corra bem nas competições?

Matheus Santana: Na verdade é um cuidado durante o dia todo, que tornou-se um hábito. Meu treino começa as 9h, então antes de tomar café, em jejum, faço uma medição. Depois, antes de cair na água faço outra. Caso precise ser corrigido, eu sempre carrego a insulina comigo, tomo e depois volto para o treino. Após o treino faço novamente a medição e assim vai durante todo o dia e nas competições. É muito importante ter um padrão, não posso deixar oscilar muito. A minha sempre fica entre 120 e 140, então qualquer coisa fora disso eu paro para fazer a correção.

Em Diabetes / DEN: O que varia na preparação para uma competição comum (nacional ou internacional) e uma olimpíada no que diz respeito à alimentação e o acompanhamento médico?

Matheus Santana: A alimentação é a mesma, sempre balanceada, procurando repor os nutrientes que preciso para manter o corpo forte e saudável, e também considerando o diabetes para não oscilar. Existe sempre uma equipe multidisciplinar acompanhando a seleção. Não é só técnico e preparador físico. Tem nutricionista, fisioterapeuta para prevenção e tratamento de lesões, psicólogo, pois também precisamos manter a concentração e definir bem a estratégia… Essa estrutura, sem dúvida, é muito importante para um bom resultado.

Em Diabetes / DEN: O fato de treinar atualmente em outro país, com cultura e hábitos alimentares diferentes dos nossos, exige de você alguma atenção especial?

Matheus Santana: Não tive mudanças bruscas, apenas pequenas adaptações. Como atleta eu já tenho um cardápio pré-definido, montado por um nutricionista.

Em Diabetes / DEN: Por mais que nós, diabéticos, nos dediquemos bastante ao tratamento, sempre existe algum tipo de alimento que consideramos uma tentação irresistível ou quase. Você tem algum prato ou guloseima que para você é muito difícil resistir?

Matheus Santana: Como sou atleta, tenho uma alimentação bem regrada. Procuro não sair muito da linha. Já me acostumei à me privar de algumas coisas e fazer substituições.

Em Diabetes / DEN: Algum ajuste especial nas dosagens em dias de competições, justamente quando os nervos ficam à flor da pele, o que pode alterar a glicemia?

Matheus Santana: Não, sigo minha rotina normalmente. Gosto de ficar na minha na hora de nadar. Sou disciplinado, focado e lido bem com a pressão.

Em Diabetes / DEN: Como fica o tratamento quando você nada pela seleção: há uma boa interação entre o que seu médico recomenda e o que a equipe médica da seleção propõe?

Matheus Santana: Sim, ambos andam alinhados para que eu possa ter o melhor desempenho possível, mantendo sempre o controle de todos os meus índices (hemoglobina, glicemia etc)

Em Diabetes / DEN: Com uma rotina desgastante de treinos pela qual passam todos os atletas de alto rendimento, o que você sempre tem à mão para o caso de uma hipoglicemia? Algum procedimento especial para evitá-las durante os treinos?

Matheus Santana: Dificilmente eu tenho hipoglicemias. Eu sempre deixo uma garrafinha com carboidrato puro na mochila, já prevenindo caso ocorra. Então, quando eu preciso, vou lá, tomo e um pouco depois já estou apto a treinar e nadar de novo.

Em Diabetes / DEN: Você faz a contagem de carboidratos, qual sua maior dificuldade e o maior benefício que obtém através dessa terapia nutricional?

Matheus Santana: No cardápio elaborado pelo nutricionista já vem a quantidade certa de carboidrato que eu preciso e estou ingerindo, então isso facilita aplicação de insulina etc.

Em Diabetes / DEN: Para terminar, o que você diria a uma pessoa com diabetes que queira se tornar um atleta de alto rendimento: quais os cuidados que deve tomar e como deve proceder para que não desanime com a difícil tarefa de aliar o tratamento às rotinas de treinos intensos?

Matheus Santana: Gostaria de lembrar para essas pessoas que a doença não te impede de fazer nada. Não é apenas um discurso padrão de que sua vida é igual a de todo mundo. É uma verdade. Só precisamos nos cuidar, saber nossos limites e sermos felizes. Não é preciso ficar se lamentando por nada. Acredito que Deus não coloca na nossa frente nenhum obstáculo que não podemos superar, então é só seguir em frente, ter disciplina, garra e força de vontade para praticar exercícios e manter o controle, não descuidar da saúde. ♦


Revista em diabetes - Nadador Matheus Santana
Imagem: Celso Pupo

Estamos na torcida por esse grande campeão na vida e nas águas. Matheus Santana é um desses esportistas que tem a cara do DIABETES ESPORTE & NATUREZA: aquele que lida com o diabetes de forma positiva e está sempre disposto a mostrar que nossa disfunção não nos limita se nos cuidamos bem.

Nos juntamos a essa torcida com o grito que sua própria família faz ecoar na arquibancada durante as competições: VAI SANTANAAAA!!! Hahahaha!

E se você gostou desse post e ainda não assistiu ao vídeo da entrevista com o Matheus Santana no Parque Aquático Maria Lenk, é só clicar aqui e entrar na página da revista eletrônica EM DIABETES, aproveitando ainda para ficar informado com muito mais matérias, artigos e papos sobre nossas rotinas com a disfunção.

20170513_220901Se o link acima não funcionar, clique no endereço http://www.emdiabetes.com.br ou na imagem de capa, logo aí à direita, e acesse gratuitamente um conteúdo de muita qualidade sobre um tema que não devemos deixar de nos informar: a nossa saúde.

Grande abraço a todos!

DANIEL RAMALHO

DIABETES ESPORTE & NATUREZA

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