imagem AGOSTO SEM FIM: 3ª PARTE

DE VOLTA AO PARQUE OLÍMPICO

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Um voo nada agradável

Realmente a volta de Buenos Aires não foi das mais agradáveis: justamente no último dia de viagem, acordei com febre, me sentido muito mal e com calafrios. O tempo naquele dia também não contribuiu, chovendo e com muito frio até a hora de meu embarque.

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Acabaram as férias e com febre…

Passei o último dia na cama tentando me recuperar, mas a febre baixava e subia como nossas glicemias (risos). Nem durante o voo ela me deu trégua e algumas pessoas, ignorando o que me passava, chegaram a rir do quanto eu tremia em minha cadeia… Até eu! Ha, ha, ha!

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Mas tem Paralimpíadas nos esperando! Woohoo!

Chegando ao Aeroporto Antônio Carlos Jobim, o Galeão, já passava da meia-noite e como estávamos com nossa princesinha, até montar o carrinho e acomodá-la, todos já haviam passado e encontramos um corredor livre até a saída, mas onde se destacavam as imagens olímpicas e a publicidade dos Jogos nas paredes: definitivamente havíamos dado um tempo, mas estávamos de volta ao espírito olímpico! Que bom!!!!

Paralimpíadas, aqui estamos nós!

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Arena Carioca 2 enchendo para o Rúgbi sobre Cadeira de Rodas.

Em 2007 o Rio de Janeiro sediou os Jogos Panamericanos e, curiosamente, naquela época também estava em Buenos Aires usufruindo de uma bolsa de estudos que ganhei do Instituto Cervantes, onde trabalhava na época como professor, para um curso de atualização de professores de espanhol da Fundação Ortega y Gasset , no Instituto Borges.

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A alegria de minha pequena bebê: momento registrado para que um dia possa se orgulhar de ter estado presente em tão grande lição de superação.

Ao voltar da ótima viagem, lembro-me que fui a vários jogos do Parapanamericano. Guardo com muito carinho a lembrança daqueles momentos em que aprendi muito, tanto que para mim era certo, desde que se anunciou que as Olimpíadas de 2016 seriam no Rio, que iria assistir aos jogos Paralímpicos também.

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2007, Jogos Parapanamericanos do Rio de Janeiro: recebendo lições inesquecíveis que se tornariam decisivas 1 ano depois com meu diagnótico de DM.

De volta a 2016, ao retornar novamente da Argentina, passei a procurar ingressos para  a Paralimpíada e tive uma grata surpresa: restavam poucos ingressos para alguns eventos e todos os principais já estavam esgotados. Não, vocês não leram errado. Foi realmente uma grata surpresa, pois lembro-me que em 2007, mesmo os jogos sendo com entrada gratuita, as arquibancadas não estavam totalmente tomadas. Lembrem-se também que poucos dias antes o próprio prefeito da cidade do Rio de Janeiro se declarou decepcionado com os poucos ingressos vendidos para a Paralimpíada. Assim, mexeram com o orgulho carioca e tivemos uma venda recorde nos Jogos Paralímpicos, o que me fez quase perdê-los.

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Eventos esportivos também são ótimos para aproximar ainda mais a família e os amigos.

Consegui entradas para dois eventos: Rúgbi e Basquete, ambos, sobre cadeira de rodas. Ver pessoas que algum dia lhes disseram que não poderiam fazer isso ou aquilo, que suas vidas seriam com limitações atrás de limitações, que estavam fadados a viver uma vida monótona por conta de suas dificuldades físicas se entregando ao esporte, lutando por suas medalhas, simplesmente dando um tapa na cara do preconceito e dos vitimistas, nos causa uma sensação indescritível de, ao mesmo tempo, êxtase, por poder presenciar tamanha superação, e vergonha, por às vezes cedermos às tentações da reclamação diante de questões tão pequenas se comparadas às que esses heróis enfrentam todos os dias.

Balanço geral

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Vale muito a pena nos cuidarmos para nós mesmos e para podermos desfrutar da companhia de nossos amigos e familiares por muito tempo.

Foram apenas dois dias para mim, minha esposa e minha filha, mas que certamente nunca mais esquecerei e que espero haver entendido e aprendido as lições que recebi.

Lidar com o diabetes diariamente não é nada fácil, exige muito de nosso controle emocional, disciplina, paciência, dedicação, mas ver aqueles guerreiros sem braços ou pernas ou com uma pequena má formação física, me fez pensar no quanto devo e posso me dedicar ainda mais ao meu bem-estar e ao de minha família.

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Não há nada que pague momentos de aprendizado, alegria e respeito como os Jogos Paralímpicos nos proporcionaram.

Que os Jogos Paralímpicos tenham deixado uma mensagem ainda maior do que os Olímpicos: a de que não há nada que não possamos realizar se realmente nos dedicarmos a fazê-lo.

Sentirei muita saudade dos Jogos Rio 2016, tanto os Olímpicos como os Paralímpicos, e das lições que somente o esporte pode nos oferecer.

Após o sonho, temos que voltar à realidade e, ainda durante os jogos, voltei ao trabalho. já era hora, não é mesmo? Ha, ha, ha!

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Dando adeus ao Parque Olímpico em pleno funcionamento. Espero que se dê uma boa finalidade a esse lugar mágico que abrigou a RIO 2016.

A coisa não foi tão fácil assim e minhas glicemias têm tudo a ver com uma pequena dificuldade nesse retorno, mas isso é papo para a 4ª e última parte de “AGOSTO SEM FIM”.

Estaremos de volta na semana que vem, contando tudo o que envolveu a saída de férias, o retorno ao trabalho e suas consequências, bem como o meu controle glicêmico feito nestes momentos: o que faço hoje, seguramente tem uma estreita relação com o que vivi naquele mês de agosto que resolveu adentrar o de setembro.

Não deixem de nos acompanhar.

Grande abraço a todos,

DANIEL RAMALHO

DIABETES ESPORTE & NATUREZA

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